Nos últimos anos tenho observado com apreensão a forma como a figura do síndico — seja ele um morador voluntário ou um profissional contratado — tem sido tratada no debate público e mesmo em manchetes de jornais. Casos isolados de desvios financeiros, fraudes e episódios de violência ganharam enorme repercussão, e muitas vezes se transformaram em símbolos negativos que ofuscam a prática cotidiana de milhares de gestores responsáveis e dedicados.
Infelizmente, no início de 2026 tivemos mais um desses episódios trágicos no Brasil: um síndico em Caldas Novas (GO) foi preso sob acusação de homicídio contra uma corretora de imóveis, o que gerou ampla cobertura policial e indignação social — um caso extremo, profundamente lamentável e que deve ser tratado como crime individual, não como reflexo da classe inteira.
Casos ainda, como fraudes envolvendo desvios financeiros, também reforçam narrativas que acabam associando a função a desonestidade ou risco.
Mas é preciso ir além desses episódios isolados e olhar para o papel real e imprescindível do síndico no cotidiano de um condomínio — um papel essencial para a convivência, a segurança, a saúde financeira e, sobretudo, para a valorização patrimonial dos imóveis que compõem nossas cidades.
A boa gestão condominial não é apenas uma formalidade burocrática: é um fator determinante para manter e aumentar o valor de mercado de um imóvel. Estudos especializados têm mostrado que aspectos como conservação das áreas comuns, ordem e limpeza, acessibilidade e condições gerais impactam diretamente o preço e a atratividade dos apartamentos e casas — em alguns casos, podendo representar diferenças relevantes no valor patrimonial.
No Brasil, a gestão condominial envolve funções complexas — desde o cumprimento da convenção e regimento interno até a administração financeira, elaboração de orçamentos, cobrança de taxas e prestação de contas transparentes, sem falar na mediação de conflitos e na manutenção das estruturas físicas.
Apesar disso, muitos moradores ainda vêem a função com desinteresse ou até aversão. Parte disso se deve à associação — muitas vezes injusta — entre a figura do síndico e episódios isolados de má conduta. Isso tem levado a um fenômeno perverso: cada vez menos condôminos querem se candidatar ao cargo, por medo de desgaste com vizinhos, conflitos e exposição negativa. Esse vácuo tem impulsionado a demanda por síndicos profissionais externos, que se apresentam como solução para a rotina condominial.
Na economia de mercado, quando a oferta de um serviço aumenta rapidamente, os preços tendem a cair. E isso tem se refletido nas contratações: muitas vezes o critério de escolha recai excessivamente sobre o preço, em detrimento de critérios técnicos, formação, referências e postura profissional adequada — e isso representa um grande risco para a gestão do patrimônio coletivo.
Síndico não é apenas um gestor de rotina: é o CEO de uma empresa cuja “empresa” é o próprio condomínio. E, como em qualquer organização séria, não se deve balizar o trabalho de um CEO apenas pelo menor preço. A pior economia que um condomínio pode fazer é abrir mão da qualificação e do preparo de quem gerencia seus recursos e sua infraestrutura.
Além disso, muitos profissionais que se apresentam como síndicos carecem de preparo técnico, amparo tecnológico, experiência real na área e até mesmo marketing pessoal. Em um mundo cada vez mais digital e exigente, a ausência de ferramentas adequadas de gestão e de comunicação eficaz com os condôminos torna mais difícil o desempenho das funções e a valorização dos próprios serviços.
Foi com esse cenário em mente que, em 2026, a CMI/SECOVI de Minas Gerais deu um passo inovador e certeiro ao criar o Conselho de Síndicos — um ambiente dedicado a amparar, estimular e fortalecer o mercado condominial. Por meio de cursos preparatórios, mentorias especializadas, eventos de networking e diretrizes de boas práticas, essa entidade respeitada no setor busca elevar o padrão de atuação dos síndicos, tanto os que já atuam quanto os que desejam se qualificar para assumir esse papel tão relevante.
Pertencer a essa entidade é, hoje, um símbolo de qualificação e compromisso com a ética, a transparência e a profissionalização. É uma chancela que reconhece a importância estratégica do síndico e o apoio institucional que ele merece.
Por tudo isso, convido síndicos orgânicos e profissionais a conhecerem o trabalho da CMI/SECOVI-MG, a participarem de suas atividades e a aproveitarem as vantagens de pertencer a uma comunidade que valoriza a excelência na gestão condominial. Esse é um convite para reforçar a credibilidade da função, aprimorar competências e fortalecer um setor que impacta diretamente o dia a dia de milhões de brasileiros.
Síndico importa — e é hora de reconhecer isso com mais respeito, mais preparo e mais valorização profissional.
Artigo elaborado por: Daniel Nahas
